Correção de Doença do Refluxo gastroesofagico

A correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico é um procedimento cirúrgico indicado para pacientes com refluxo persistente que não responde ao tratamento clínico. A cirurgia melhora sintomas como azia, regurgitação e dor torácica, proporcionando qualidade de vida. Entenda mais sobre esse assunto!

Atualizado em: 01/06/2026.

Introdução

A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica em que o conteúdo ácido do estômago retorna de forma anormal e frequente para o esôfago. Afeta cerca de 7 a 12% dos adultos no Brasil. O tratamento inicial envolve mudanças no estilo de vida como perda de peso, evitar alimentos gordurosos, cafeína e álcool, o tratamento inicial medicamentos se faz com drogas que reduzem a acidez gástrica.

Quando essas medidas não são suficientes, a correção cirúrgica da DRGE pode ser indicada. Esse procedimento melhora a função do esfíncter inferior do esôfago, prevenindo o refluxo e reduzindo o risco de complicações como esofagite, sintomas respiratórios, estenose esofágica e até risco de adenocarcinoma esofágico. A cirurgia é realizada por técnica minimamente invasiva, proporcionando recuperação mais rápida e menor risco de complicações.

Neste artigo, você entenderá quando a cirurgia é indicada, como ela é realizada, como se preparar e quais cuidados adotar no pós-operatório.

Quais as indicações da correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico?

A cirurgia é recomendada para pacientes que apresentam:

  • Falha no tratamento clínico, com refluxo persistente, mesmo com tratamento medicamentoso otimizado
  • Dependência ou intolerância aos medicamentos
  • Azia intensa e regurgitação frequente que prejudicam a qualidade de vida
  • Complicações  da DRGE como:
    • Esofagite grave ou de repetição e estenose de esofago
    • Esofago de Barret
    • Manifestações extra esofágicas  com laringite e broncoespasmo refratário
    •  Pneumonias de repetição
  • Hérnia de hiato volumosa ou para esofágica
  • Sintomas extraesofágicos, como tosse crônica, asma e pneumonias de repetição

A decisão cirúrgica é baseada em avaliação médica detalhada e exames diagnósticos que comprovem a afecção clínica do paciente como:

  • Endoscopia Digestiva Alta
  • PHmetria esofágica de 24 horas (ou impedâncio-PHmetria)
  • Manometria esofágica de alta resolução
  • Radiografia contratada de esofago, estomago e duodeno (EED)

Como é realizada a correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico?

O procedimento padrão é a fundoplicatura, geralmente feita por videolaparoscopia, utilizando pequenas incisões. A técnica consiste em criar uma válvula com o fundo do estômago ao redor do esôfago inferior, reforçando o esfíncter esofágico.

Para isso o 

Existem dois tipos principais:

  • Fundoplicatura total (360°)
  • Fundoplicatura parcial (180° a 270°)

Passos principais da cirurgia

  • Anestesia geral
  • Insuflação de CO₂ na cavidade abdominal
  • Identificação da junção esôfago-gástrica
  • Redução da hérnia de hiato, quando presente
  • Criação do envoltório ( Fundoplicatura)
    • Utilização da região superior do estômago, fundo gástrico
    • Passagem  por tras do esofago.envolvendo-o compelta ou parciallemnbte o esofago  
    • fixação deste manguito sobre si mesmo se valvula total  ou sobre o esofago se parcial 
    • Envolvimento de 180 a 360 graus do esofago, melhorando a função do esfincter inferior do esofago 
  • Fixação do manguito ao esôfago ou sobre si mesmo, dependendo da técnica

A cirurgia dura, em média, 1 a 2 horas, com recuperação inicial monitorada. A abordagem minimamente invasiva reduz a dor, o tempo de internação e acelera o retorno às atividades.

Como se preparar para a correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico?

Com o diagnóstico confirmado e indicação cirúrgica documentada através da falencia clínica, complicações e exames, o paciente passará por:

  • Avaliação clínica completa
  • Exames laboratoriais
  • Exames de imagem
  • Avaliação cardiológica

Outras recomendações importantes

  • Informar todos os medicamentos em uso (anticoagulantes podem precisar ser suspensos)
  • Evitar bebidas alcoólicas e suspender o tabagismo com antecedência
  • Fazer alimentação leve no dia anterior
  • Manter jejum conforme orientação médica
  • Levar documentos, exames e roupas confortáveis no dia da cirurgia

Seguir essas orientações aumenta a segurança e reduz o risco de complicações.

Como é o período pós-operatório da correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico?

A alta costuma ocorrer no mesmo dia ou no dia seguinte. A recuperação é rápida, e atividades leves podem ser retomadas em 1 a 2 semanas.

Cuidados essenciais

  • Uso correto das medicações prescritas
  • Higiene adequada das incisões
  • Evitar esforços físicos intensos até liberação médica
  • Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas

Dieta pós-operatória

  • Dieta progressiva
  • Dias 1 a 7:: dieta líquida plena ( caldo, sucos coados)
  • Semana 2: dieta liquidifica ( caldos mais espessos)
  • Semana 3: dieta pastosa (purês, papas, alimentos amassados)
  • Semana 4 a 6 (liberação progressiva) alimentos sólidos porém bem cozidos 
  • Após 6 semanas: a dieta será plena 
  • Evitar alimentos que produzem gases e líquidos gaseificados

Sinais de alerta

Procure o cirurgião se houver:

  • Dor intensa e persistente
  • Febre
  • Vermelhidão ou secreção nas incisões
  • Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas

O cumprimento dessas recomendações otimiza os resultados e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente.

Considerações gerais 

  • A DRGE afeta cerca de 20% da população das Américas
  • A cirurgia é segura e eficaz, com baixas taxas de complicações (0,1% a 2%)
  • A complicação mais comum é a disfagia temporária, geralmente resolvida com técnica adequada e adaptação alimentar
  • Sensação de gases retidos e distensão abdominal podem acontecer
  • A recidiva dos sintomas pode ocorrer em até 20% dos casos, especialmente em grandes hérnias de hiato, ganho de peso no pós-operatório ou presença de esôfago curto

O sucesso da cirurgia depende de uma tríade fundamental:  

  1. Seleção cuidadosa dos paciente, 
  2. Técnica cirúrgica precisa
  3. Adesão do paciente em relação às orientações pós-operatórias

A decisão pela cirurgia deve sempre considerar o equilíbrio entre riscos e benefícios, avaliando cuidadosamente o quadro clínico de cada paciente.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quem deve fazer a cirurgia de refluxo?

Pacientes com refluxo persistente e complicações apesar do tratamento clínico.

2. O procedimento é invasivo?

É minimamente invasivo na maioria dos casos, realizado por laparoscopia.

3. Quanto tempo dura a cirurgia?

Em média de 1 a 2 horas, sob anestesia geral.

4. Qual é o tempo de recuperação?

Normalmente de 1 a 3 dias de internação e algumas semanas de cuidados domiciliares.

5. É necessário dieta especial após a cirurgia?

Sim, inicia com líquidos e evolui gradualmente para sólidos conforme orientação médica.

Dr. Carlos Godinho

CRM: Nº 76.797/SP
RQE Nº: 41950 Cirurgia Geral
RQE Nº: 419501 Cirurgia Bariátrica
Sou graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e fiz residência em Cirurgia Geral pela Faculdade de Medicina do ABC.

Sou Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Bariátrica, tenho mais de 25 anos de atuação e mais de 2.500 bariátricas realizadas.
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