Introdução
A Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) é uma condição crônica em que o conteúdo ácido do estômago retorna de forma anormal e frequente para o esôfago. Afeta cerca de 7 a 12% dos adultos no Brasil. O tratamento inicial envolve mudanças no estilo de vida como perda de peso, evitar alimentos gordurosos, cafeína e álcool, o tratamento inicial medicamentos se faz com drogas que reduzem a acidez gástrica.
Quando essas medidas não são suficientes, a correção cirúrgica da DRGE pode ser indicada. Esse procedimento melhora a função do esfíncter inferior do esôfago, prevenindo o refluxo e reduzindo o risco de complicações como esofagite, sintomas respiratórios, estenose esofágica e até risco de adenocarcinoma esofágico. A cirurgia é realizada por técnica minimamente invasiva, proporcionando recuperação mais rápida e menor risco de complicações.
Neste artigo, você entenderá quando a cirurgia é indicada, como ela é realizada, como se preparar e quais cuidados adotar no pós-operatório.
Quais as indicações da correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico?
A cirurgia é recomendada para pacientes que apresentam:
- Falha no tratamento clínico, com refluxo persistente, mesmo com tratamento medicamentoso otimizado
- Dependência ou intolerância aos medicamentos
- Azia intensa e regurgitação frequente que prejudicam a qualidade de vida
- Complicações da DRGE como:
- Esofagite grave ou de repetição e estenose de esofago
- Esofago de Barret
- Manifestações extra esofágicas com laringite e broncoespasmo refratário
- Pneumonias de repetição
- Hérnia de hiato volumosa ou para esofágica
- Sintomas extraesofágicos, como tosse crônica, asma e pneumonias de repetição
A decisão cirúrgica é baseada em avaliação médica detalhada e exames diagnósticos que comprovem a afecção clínica do paciente como:
- Endoscopia Digestiva Alta
- PHmetria esofágica de 24 horas (ou impedâncio-PHmetria)
- Manometria esofágica de alta resolução
- Radiografia contratada de esofago, estomago e duodeno (EED)
Como é realizada a correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico?
O procedimento padrão é a fundoplicatura, geralmente feita por videolaparoscopia, utilizando pequenas incisões. A técnica consiste em criar uma válvula com o fundo do estômago ao redor do esôfago inferior, reforçando o esfíncter esofágico.
Para isso o
Existem dois tipos principais:
- Fundoplicatura total (360°)
- Fundoplicatura parcial (180° a 270°)
Passos principais da cirurgia
- Anestesia geral
- Insuflação de CO₂ na cavidade abdominal
- Identificação da junção esôfago-gástrica
- Redução da hérnia de hiato, quando presente
- Criação do envoltório ( Fundoplicatura)
- Utilização da região superior do estômago, fundo gástrico
- Passagem por tras do esofago.envolvendo-o compelta ou parciallemnbte o esofago
- fixação deste manguito sobre si mesmo se valvula total ou sobre o esofago se parcial
- Envolvimento de 180 a 360 graus do esofago, melhorando a função do esfincter inferior do esofago
- Fixação do manguito ao esôfago ou sobre si mesmo, dependendo da técnica
A cirurgia dura, em média, 1 a 2 horas, com recuperação inicial monitorada. A abordagem minimamente invasiva reduz a dor, o tempo de internação e acelera o retorno às atividades.
Como se preparar para a correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico?
Com o diagnóstico confirmado e indicação cirúrgica documentada através da falencia clínica, complicações e exames, o paciente passará por:
- Avaliação clínica completa
- Exames laboratoriais
- Exames de imagem
- Avaliação cardiológica
Outras recomendações importantes
- Informar todos os medicamentos em uso (anticoagulantes podem precisar ser suspensos)
- Evitar bebidas alcoólicas e suspender o tabagismo com antecedência
- Fazer alimentação leve no dia anterior
- Manter jejum conforme orientação médica
- Levar documentos, exames e roupas confortáveis no dia da cirurgia
Seguir essas orientações aumenta a segurança e reduz o risco de complicações.
Como é o período pós-operatório da correção da Doença do Refluxo Gastroesofágico?
A alta costuma ocorrer no mesmo dia ou no dia seguinte. A recuperação é rápida, e atividades leves podem ser retomadas em 1 a 2 semanas.
Cuidados essenciais
- Uso correto das medicações prescritas
- Higiene adequada das incisões
- Evitar esforços físicos intensos até liberação médica
- Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas
Dieta pós-operatória
- Dieta progressiva
- Dias 1 a 7:: dieta líquida plena ( caldo, sucos coados)
- Semana 2: dieta liquidifica ( caldos mais espessos)
- Semana 3: dieta pastosa (purês, papas, alimentos amassados)
- Semana 4 a 6 (liberação progressiva) alimentos sólidos porém bem cozidos
- Após 6 semanas: a dieta será plena
- Evitar alimentos que produzem gases e líquidos gaseificados
Sinais de alerta
Procure o cirurgião se houver:
- Dor intensa e persistente
- Febre
- Vermelhidão ou secreção nas incisões
- Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas
O cumprimento dessas recomendações otimiza os resultados e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente.
Considerações gerais
- A DRGE afeta cerca de 20% da população das Américas
- A cirurgia é segura e eficaz, com baixas taxas de complicações (0,1% a 2%)
- A complicação mais comum é a disfagia temporária, geralmente resolvida com técnica adequada e adaptação alimentar
- Sensação de gases retidos e distensão abdominal podem acontecer
- A recidiva dos sintomas pode ocorrer em até 20% dos casos, especialmente em grandes hérnias de hiato, ganho de peso no pós-operatório ou presença de esôfago curto
O sucesso da cirurgia depende de uma tríade fundamental:
- Seleção cuidadosa dos paciente,
- Técnica cirúrgica precisa
- Adesão do paciente em relação às orientações pós-operatórias
A decisão pela cirurgia deve sempre considerar o equilíbrio entre riscos e benefícios, avaliando cuidadosamente o quadro clínico de cada paciente.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quem deve fazer a cirurgia de refluxo?
Pacientes com refluxo persistente e complicações apesar do tratamento clínico.
2. O procedimento é invasivo?
É minimamente invasivo na maioria dos casos, realizado por laparoscopia.
3. Quanto tempo dura a cirurgia?
Em média de 1 a 2 horas, sob anestesia geral.
4. Qual é o tempo de recuperação?
Normalmente de 1 a 3 dias de internação e algumas semanas de cuidados domiciliares.
5. É necessário dieta especial após a cirurgia?
Sim, inicia com líquidos e evolui gradualmente para sólidos conforme orientação médica.


