Cardiomiotomia de Heller

A Cardiomiotomia de Heller é um procedimento cirúrgico indicado para tratar acalasia esofágica, promovendo o relaxamento do esfíncter inferior do esôfago. O procedimento melhora a deglutição, reduz sintomas de regurgitação e azia. A preparação e os cuidados pós-operatórios são essenciais para a recuperação segura. Entenda mais sobre esse assunto!

Atualizado em: 25/05/2026.

Introdução

A Acalasia de esôfago é uma doença caracterizada  pela dificuldade de relaxamento  do esfíncter inferior do esôfago (EIE) e pela ausência de pesitalse no esôfago. Isso impede a passagem adequada dos alimentos para o estômago. A acalasia pode ser classificada de duas maneiras, pela classificação de Chicago, que utiliza a eletromanometria para sua diferenciação, e está dividido em:

  • Tipo I Acalasia clássica
  • Tipo II Acalasia com Compressão
  • Tipo III Acalásia espástica

Já a classificação é de Rezende, usa o raio x contrastado, como parâmetro  e é classificado em:

  • Grau I Esofago co diametro < 4cm
  • Grau II Esofago com dilatação entre 4 e 6 cm
  • Grau III Esofafo com dilatação > que 6 cm
  • Grau IV Esofago muito dilatadocom retenção alimentar

A Cardiomiotomia a Heller é uma cirurgia realizada para tratar a acalasia esofágica, uma condição em que o esfíncter inferior do esôfago não relaxa corretamente, dificultando a passagem dos alimentos. O procedimento tem como objetivo reduzir a pressão do EIE, e consiste no corte dos músculos do esfíncter, permitindo melhor trânsito alimentar e alívio dos sintomas.

Além de melhorar a deglutição, a miotomia ajuda a reduzir regurgitação e azia, proporcionando maior qualidade de vida ao paciente. O procedimento pode ser realizado por via laparoscópica, minimizando complicações e tempo de recuperação.

Neste artigo, abordaremos as indicações deste procedimento, como ele é realizado, como se preparar e quais os cuidados necessários no período pós-operatório. Leia até o final e saiba mais!

Quais as indicações de miotomia de Heller?

A Cardiomiotomia a Heller é indicada principalmente para pacientes com acalasia esofágica que apresentam:

  • Dificuldade progressiva para engolir alimentos sólidos e líquidos
  • Regurgitação frequente e desconforto torácico
  • Falha no tratamento clínico com medicamentos ou dilatações esofágicas e toxina botulínica, que são tratamentos menos invasivos
  • Sintomas persistentes que impactam a qualidade de vida
  • Casos de acalasia moderada e avançada ou que apresentam complicações como perda de peso e desnutrição
  • Pacientes jovens (melhor resultado a longo prazo)
  • Preferência do paciente por solução de melhor resolução dos sintomas
  • Recorrência dos sintomas após outros tratamentos

A indicação precisa é definida por avaliação médica detalhada e exames complementares que confirmem a disfunção do esfíncter esofágico.

Como é realizada a Cardiomiotomia a Heller?

O procedimento padrão é a miotomia realizada por via minimamente invasiva (videolaparoscopia). onde será abordada a musculatura esofágica do o EIE a da região proximal do estômago ( chamada de cardia). A técnica consiste em liberar toda a musculatura que não relaxa apos uma deglutição impedindo a passagem do alimento.

Para isso o 

Existem dois tempos principais :

  • Corte das fibras musculares junto ao EIE, com preservação da mucosa do esofago, peade mais profunda do esofago
  • Fundoplicatura anterior e parcial de 180° (válvula antirrefluxo)

Passos principais da cirurgia

  • Anestesia geral
  • Insuflação de CO₂ na cavidade abdominal
  • Identificação da junção esôfago-gástrica
  • Liberação e secção de toda a musculatura do EIE e da região proximal do estômago
  • Criação do envoltório ( Fundoplicatura)
    • Utilização da região superior do estômago, fundo gástrico
    • Passagem anterior envolvendo toda a região que foi seccionado a musculatura  
    • Fixação deste manguito  nas bordados de onde foi liberado a musculatura 
    • Envolvimento de 180 e protegendo toda a região desnuda de musculatura 

A cirurgia dura, em média, 1 a 2 horas, com recuperação inicial monitorada. A abordagem minimamente invasiva reduz a dor, o tempo de internação e acelera o retorno às atividades.

Como se preparar para a Cardiomiotomia a Heller?

Com o diagnóstico confirmado e indicação cirúrgica documentada através da falencia clínica, complicações e exames, o paciente passará por:

  • Avaliação clínica completa
  • Exames laboratoriais
  • Exames de imagem
  • Avaliação cardiológica

Outras recomendações importantes

  • Informar todos os medicamentos em uso (anticoagulantes podem precisar ser suspensos)
  • Evitar bebidas alcoólicas e suspender o tabagismo com antecedência
  • Fazer alimentação leve no dia anterior
  • Manter jejum conforme orientação médica
  • Levar documentos, exames e roupas confortáveis no dia da cirurgia

Seguir essas orientações aumenta a segurança e reduz o risco de complicações.

Como é o período pós-operatório da Cardiomiotomia a Heller?

A alta costuma ocorrer no mesmo dia ou no dia seguinte. A recuperação é rápida, e atividades leves podem ser retomadas em 1 a 2 semanas.

Cuidados essenciais

  • Uso correto das medicações prescritas
  • Higiene adequada das incisões
  • Evitar esforços físicos intensos até liberação médica
  • Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas

Dieta pós-operatória

  • Dieta progressiva
  • Dias 1 a 7:: dieta líquida plena ( caldo, sucos coados)
  • Semana 2: dieta liquidifica ( caldos mais espessos)
  • Semana 3: dieta pastosa (purês, papas, alimentos amassados)
  • Semana 4 a 6 (liberação progressiva) alimentos sólidos porém bem cozidos 
  • Após 6 semanas: a dieta será plena 
  • Evitar alimentos que produzem gases e líquidos gaseificados

Sinais de alerta

Procure o cirurgião se houver:

  • Dor intensa e persistente
  • Febre
  • Vermelhidão ou secreção nas incisões
  • Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas

O cumprimento dessas recomendações otimiza os resultados e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente.

Considerações gerais 

A escolha ideal deve ser individualizada, levando em conta o subtipo do paciente, o gru de dilatação do esôfago, suas comorbidades, preferências e a expertise do centro de tratamento. Pela classificação de Chicago, a cardiomiotomia a Heller tem melhores resultados no Tipo I e II, o Tipo III apresenta melhores resultados com dilatação pneumática. Quanto à classificação de Rezende, a cardiomiotomia apresebta melhores resultados nos Graus I, a III, no Grau IV a melhor opção é a substituição do órgão.

  • A cirurgia é segura e eficaz, com taxa de sucesso superior a 90%
  • Melhora significativa da disfagia
  • Qualidade de vida elevada após o procedimento
  • Sensação de gases retidos e distensão abdominal podem acontecer
  • A recidiva dos sintomas pode ocorrer após cerca de 10 a 15 anos após o procedimento 

O sucesso da cirurgia depende de uma tríade fundamental, a semelhança da correção de DRGE::  

  1. Seleção cuidadosa dos paciente, 
  2. Técnica cirúrgica precisa
  3. Adesão do paciente em relação às orientações pós-operatórias

A decisão pela cirurgia deve sempre considerar o equilíbrio entre riscos e benefícios, avaliando cuidadosamente o quadro clínico de cada paciente. Em casos onde o paciente não tenha condições plenas para o procedimento cirúrgico , a miotomia perioral por endoscopia poderá ser avaliada.

Perguntas frequentes (FAQs)

1. O que é miotomia de Heller?

Cirurgia para tratar acalasia esofágica cortando os músculos do esfíncter inferior do esôfago.

2. Quem deve fazer este procedimento?

Pacientes com dificuldade de engolir alimentos e falha em tratamentos clínicos.

3. É feita por cirurgia aberta ou laparoscópica?

Na maioria dos casos, é realizada por via laparoscópica.

4. Quanto tempo dura a recuperação?

Em geral, de 1 a 3 dias de internação e algumas semanas de cuidados em casa.

5. Precisa de dieta especial após a cirurgia?

Sim, inicia com líquidos e progride para sólidos conforme orientação médica.

Dr. Carlos Godinho

CRM: Nº 76.797/SP
RQE Nº: 41950 Cirurgia Geral
RQE Nº: 419501 Cirurgia Bariátrica
Sou graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e fiz residência em Cirurgia Geral pela Faculdade de Medicina do ABC.

Sou Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Bariátrica, tenho mais de 25 anos de atuação e mais de 2.500 bariátricas realizadas.
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