Introdução
A Acalasia de esôfago é uma doença caracterizada pela dificuldade de relaxamento do esfíncter inferior do esôfago (EIE) e pela ausência de pesitalse no esôfago. Isso impede a passagem adequada dos alimentos para o estômago. A acalasia pode ser classificada de duas maneiras, pela classificação de Chicago, que utiliza a eletromanometria para sua diferenciação, e está dividido em:
- Tipo I Acalasia clássica
- Tipo II Acalasia com Compressão
- Tipo III Acalásia espástica
Já a classificação é de Rezende, usa o raio x contrastado, como parâmetro e é classificado em:
- Grau I Esofago co diametro < 4cm
- Grau II Esofago com dilatação entre 4 e 6 cm
- Grau III Esofafo com dilatação > que 6 cm
- Grau IV Esofago muito dilatadocom retenção alimentar
A Cardiomiotomia a Heller é uma cirurgia realizada para tratar a acalasia esofágica, uma condição em que o esfíncter inferior do esôfago não relaxa corretamente, dificultando a passagem dos alimentos. O procedimento tem como objetivo reduzir a pressão do EIE, e consiste no corte dos músculos do esfíncter, permitindo melhor trânsito alimentar e alívio dos sintomas.
Além de melhorar a deglutição, a miotomia ajuda a reduzir regurgitação e azia, proporcionando maior qualidade de vida ao paciente. O procedimento pode ser realizado por via laparoscópica, minimizando complicações e tempo de recuperação.
Neste artigo, abordaremos as indicações deste procedimento, como ele é realizado, como se preparar e quais os cuidados necessários no período pós-operatório. Leia até o final e saiba mais!
Quais as indicações de miotomia de Heller?
A Cardiomiotomia a Heller é indicada principalmente para pacientes com acalasia esofágica que apresentam:
- Dificuldade progressiva para engolir alimentos sólidos e líquidos
- Regurgitação frequente e desconforto torácico
- Falha no tratamento clínico com medicamentos ou dilatações esofágicas e toxina botulínica, que são tratamentos menos invasivos
- Sintomas persistentes que impactam a qualidade de vida
- Casos de acalasia moderada e avançada ou que apresentam complicações como perda de peso e desnutrição
- Pacientes jovens (melhor resultado a longo prazo)
- Preferência do paciente por solução de melhor resolução dos sintomas
- Recorrência dos sintomas após outros tratamentos
A indicação precisa é definida por avaliação médica detalhada e exames complementares que confirmem a disfunção do esfíncter esofágico.
Como é realizada a Cardiomiotomia a Heller?
O procedimento padrão é a miotomia realizada por via minimamente invasiva (videolaparoscopia). onde será abordada a musculatura esofágica do o EIE a da região proximal do estômago ( chamada de cardia). A técnica consiste em liberar toda a musculatura que não relaxa apos uma deglutição impedindo a passagem do alimento.
Para isso o
Existem dois tempos principais :
- Corte das fibras musculares junto ao EIE, com preservação da mucosa do esofago, peade mais profunda do esofago
- Fundoplicatura anterior e parcial de 180° (válvula antirrefluxo)
Passos principais da cirurgia
- Anestesia geral
- Insuflação de CO₂ na cavidade abdominal
- Identificação da junção esôfago-gástrica
- Liberação e secção de toda a musculatura do EIE e da região proximal do estômago
- Criação do envoltório ( Fundoplicatura)
- Utilização da região superior do estômago, fundo gástrico
- Passagem anterior envolvendo toda a região que foi seccionado a musculatura
- Fixação deste manguito nas bordados de onde foi liberado a musculatura
- Envolvimento de 180 e protegendo toda a região desnuda de musculatura
A cirurgia dura, em média, 1 a 2 horas, com recuperação inicial monitorada. A abordagem minimamente invasiva reduz a dor, o tempo de internação e acelera o retorno às atividades.
Como se preparar para a Cardiomiotomia a Heller?
Com o diagnóstico confirmado e indicação cirúrgica documentada através da falencia clínica, complicações e exames, o paciente passará por:
- Avaliação clínica completa
- Exames laboratoriais
- Exames de imagem
- Avaliação cardiológica
Outras recomendações importantes
- Informar todos os medicamentos em uso (anticoagulantes podem precisar ser suspensos)
- Evitar bebidas alcoólicas e suspender o tabagismo com antecedência
- Fazer alimentação leve no dia anterior
- Manter jejum conforme orientação médica
- Levar documentos, exames e roupas confortáveis no dia da cirurgia
Seguir essas orientações aumenta a segurança e reduz o risco de complicações.
Como é o período pós-operatório da Cardiomiotomia a Heller?
A alta costuma ocorrer no mesmo dia ou no dia seguinte. A recuperação é rápida, e atividades leves podem ser retomadas em 1 a 2 semanas.
Cuidados essenciais
- Uso correto das medicações prescritas
- Higiene adequada das incisões
- Evitar esforços físicos intensos até liberação médica
- Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas
Dieta pós-operatória
- Dieta progressiva
- Dias 1 a 7:: dieta líquida plena ( caldo, sucos coados)
- Semana 2: dieta liquidifica ( caldos mais espessos)
- Semana 3: dieta pastosa (purês, papas, alimentos amassados)
- Semana 4 a 6 (liberação progressiva) alimentos sólidos porém bem cozidos
- Após 6 semanas: a dieta será plena
- Evitar alimentos que produzem gases e líquidos gaseificados
Sinais de alerta
Procure o cirurgião se houver:
- Dor intensa e persistente
- Febre
- Vermelhidão ou secreção nas incisões
- Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas
O cumprimento dessas recomendações otimiza os resultados e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente.
Considerações gerais
A escolha ideal deve ser individualizada, levando em conta o subtipo do paciente, o gru de dilatação do esôfago, suas comorbidades, preferências e a expertise do centro de tratamento. Pela classificação de Chicago, a cardiomiotomia a Heller tem melhores resultados no Tipo I e II, o Tipo III apresenta melhores resultados com dilatação pneumática. Quanto à classificação de Rezende, a cardiomiotomia apresebta melhores resultados nos Graus I, a III, no Grau IV a melhor opção é a substituição do órgão.
- A cirurgia é segura e eficaz, com taxa de sucesso superior a 90%
- Melhora significativa da disfagia
- Qualidade de vida elevada após o procedimento
- Sensação de gases retidos e distensão abdominal podem acontecer
- A recidiva dos sintomas pode ocorrer após cerca de 10 a 15 anos após o procedimento
O sucesso da cirurgia depende de uma tríade fundamental, a semelhança da correção de DRGE::
- Seleção cuidadosa dos paciente,
- Técnica cirúrgica precisa
- Adesão do paciente em relação às orientações pós-operatórias
A decisão pela cirurgia deve sempre considerar o equilíbrio entre riscos e benefícios, avaliando cuidadosamente o quadro clínico de cada paciente. Em casos onde o paciente não tenha condições plenas para o procedimento cirúrgico , a miotomia perioral por endoscopia poderá ser avaliada.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. O que é miotomia de Heller?
Cirurgia para tratar acalasia esofágica cortando os músculos do esfíncter inferior do esôfago.
2. Quem deve fazer este procedimento?
Pacientes com dificuldade de engolir alimentos e falha em tratamentos clínicos.
3. É feita por cirurgia aberta ou laparoscópica?
Na maioria dos casos, é realizada por via laparoscópica.
4. Quanto tempo dura a recuperação?
Em geral, de 1 a 3 dias de internação e algumas semanas de cuidados em casa.
5. Precisa de dieta especial após a cirurgia?
Sim, inicia com líquidos e progride para sólidos conforme orientação médica.


