Hérnia hiatal

A hérnia hiatal ocorre quando uma parte do estômago se projeta para o tórax através do diafragma, podendo causar refluxo e desconforto digestivo. Essa condição é comum e requer atenção médica para prevenção de complicações. Entenda mais sobre esse assunto!

Atualizado em: 01/06/2026.

Introdução

A hérnia hiatal é uma condição em que parte do estômago se projeta através do diafragma para a cavidade torácica, em casos graves outras estruturas da cavidade abdominal podem hérnia. Esse deslocamento ocorre devido a uma abertura natural no diafragma, chamada hiato esofágico, que permite a passagem do esôfago.

Embora muitas pessoas apresentam hérnia hiatal sem sintomas significativos, a condição pode causar refluxo gastroesofágico, dor torácica e desconforto abdominal. Fatores de risco incluem idade, obesidade e esforço físico excessivo.

Neste artigo, abordaremos o que é, quais causas, quais os sintomas e como é realizado o diagnóstico e o tratamento desta patologia. Leia até o final e saiba mais!

As hérnia de hiato (HH) são classificadas em 4 tipos

  • Tipo I: Hérnia de deslizamento, a mais comum cerca de 95 %. A transição esofagogástrica desliza para dentro do tórax
  • Tipo II: para esofágica, parte do estômago hérnia  pelo hiato mas ao lado do esofago
  • Tipo III: mista, associação do tipo I e II
  • Tipo IV: Hérnia gigante, além do estômago podem herniar outras estruturas da cavidade abdominal 

Fatores de risco para Hérnia de Hiato

A hérnia hiatal ocorre devido a um enfraquecimento da musculatura do diafragma ou aumento da pressão intra-abdominal. Algumas causas e fatores de risco incluem:

  • Idade avançada, que reduz a elasticidade muscular e promove degeneração das estruturas de suporte do hiato esofágico
  • Obesidade, aumentando a pressão abdominal
  • Gravidez, que também eleva a pressão intra-abdominal
  • Tosse crônica ou esforço físico repetitivo
  • Histórico familiar de hérnia hiatal
  • Cirurgias abdominais prévias

Esses fatores favorecem o deslocamento do estômago para a cavidade torácica. Embora alguns casos sejam congênitos, a maioria se desenvolve ao longo da vida, e o diagnóstico precoce ajuda a prevenir complicações como refluxo grave ou esofagite.

Quais os sintomas da hérnia hiatal?

Os sintomas da hérnia hiatal variam de leves a moderados e podem se intensificar com esforço físico ou após refeições. Entre os sintomas mais frequentes estão:

  • Azia e regurgitação  ácida, principalmente ao deitar
  • Disfagia (dificuldade para engolir os alimentos
  • Dor ou desconforto no peito
  • Sensação de plenitude abdominal após comer
  • Náuseas ocasionais em casos mais graves

Algumas pessoas podem ser assintomáticas, mas a presença de sintomas persistentes exige avaliação médica para prevenir complicações e definir o melhor tratamento.

Como é feito o diagnóstico da hérnia hiatal?

O diagnóstico da hérnia hiatal envolve avaliação clínica e exames complementares. Inicialmente, o médico observa sintomas relacionados ao refluxo e realiza exame físico.

Para confirmar o diagnóstico, podem ser solicitados exames como:

  • Endoscopia digestiva alta, para visualizar o estômago e esôfago
  • Radiografia com contraste baritado, que evidencia o deslocamento do estômago
  • Manometria e pHmetria esofágica, para avaliar a função do esfíncter inferior
  • Tomografia de Tórax e Abdome, principalmente em hérnias volumosas

Esses exames ajudam a determinar o tipo de hérnia hiatal e a gravidade do quadro, permitindo orientar o tratamento adequado e prevenir complicações.

Como é feito o tratamento da hérnia hiatal?

O tratamento da hérnia hiatal depende da gravidade dos sintomas. Na maioria dos casos, medidas conservadoras são suficientes.

Entre as opções de tratamento estão:

  • Mudanças no estilo de vida, como perda de peso e dieta adequada
  • Evitar refeições pesadas e deitar logo após comer
  • Uso de medicamentos para reduzir ácido gástrico e proteger a mucosa esofágica

Nem toda hérnia requer cirurgia. A decisão cirúrgica é baseada no tipo da hérnia, no tamanha, nos sintomas, das complicações presentes e nas condições clínica s do paciente 

A cirurgia tem indicação absoluta quando o paciente apresentar:

  • Hérnia paraesofágica, pelo risco de complicações graves
  • Volvo gástrico, quando o estômago hérnia para o tórax, com riscos de encarceramento ou estrangulamento da víscera
  • Sangramento digestivo recorrente, por lesões gástricas ou esofágicas devido ao refluxo intenso promovido pela hérnia de hiato]

A cirurgia tem indicação recomendada, quando apresentar:

  • Hérnia de hiato volumosas (> 30 % de estómago herniado para o tórax)
  • Falha do tratamento clínico para DRGE
  • Disfagia persistente
  • Dispneia (falta de ar) por compressão pulmonar devido o volume de víscera herniada
  • Esofagite grave associado ou não a complicações

O procedimento padrão é a redução do conteúdo herniado, hiatoplastia e fundoplicatura antirefluxo, geralmente feita por videolaparoscopia, utilizando pequenas incisões. 

Passos principais da cirurgia

  • Anestesia geral
  • Insuflação de CO₂ na cavidade abdominal
  • Identificação da junção esôfago-gástrica
  • Redução da hérnia de hiato,
  • Hiatoplastia, fechamento do hiato esofágico, aproximando os pilares esofágico e diexando o hiato justo ao esofago
  • Criação do envoltório ( Fundoplicatura)
    • Utilização da região superior do estômago, fundo gástrico
    • Passagem  por tras do esofago.envolvendo-o completamente o esofago  
    • fixação deste manguito sobre si mesmo se valvula total  ou sobre o esofago se parcial 
    • Envolvimento de 180 a 360 graus do esofago, melhorando a função do esfincter inferior do esofago 
  • Fixação do manguito ao esôfago ou sobre si mesmo, dependendo da técnica

A cirurgia dura, em média, 1 a 2 horas, com recuperação inicial monitorada. A abordagem minimamente invasiva reduz a dor, o tempo de internação e acelera o retorno às atividades.

O acompanhamento médico contínuo é essencial para controlar sintomas, prevenir lesões esofágicas e garantir melhor qualidade de vida ao paciente.

Como se preparar para a correção da Hérnia Hiatal?

Com o diagnóstico confirmado e indicação cirúrgica documentada, o paciente passará por:

  • Avaliação clínica completa
  • Exames laboratoriais
  • Exames de imagem
  • Avaliação cardiológica

Outras recomendações importantes

  • Informar todos os medicamentos em uso (anticoagulantes podem precisar ser suspensos)
  • Evitar bebidas alcoólicas e suspender o tabagismo com antecedência
  • Fazer alimentação leve no dia anterior
  • Manter jejum conforme orientação médica
  • Levar documentos, exames e roupas confortáveis no dia da cirurgia

Seguir essas orientações aumenta a segurança e reduz o risco de complicações.

Como é o período pós-operatório da correção da Hernia Hiatal?

A alta costuma ocorrer em 24 a 72 horas, dependendo  do tipo e dimensão da hérnia de hiato do paciente. A recuperação é rápida, e atividades leves podem ser retomadas em 1 a 2 semanas.

Cuidados essenciais

  • Uso correto das medicações prescritas
  • Higiene adequada das incisões
  • Evitar esforços físicos intensos até liberação médica
  • Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas

Dieta pós-operatória

  • Dieta progressiva
  • Dias 1 a 7:: dieta líquida plena ( caldo, sucos coados)
  • Semana 2: dieta liquidifica ( caldos mais espessos)
  • Semana 3: dieta pastosa (purês, papas, alimentos amassados)
  • Semana 4 a 6 (liberação progressiva) alimentos sólidos porém bem cozidos 
  • Após 6 semanas: a dieta será plena 
  • Evitar alimentos que produzem gases e líquidos gaseificados

Sinais de alerta

Procure o cirurgião se houver:

  • Dor intensa e persistente
  • Febre
  • Vermelhidão ou secreção nas incisões
  • Acompanhamento médico regular para avaliar função esofágica e sintomas

O cumprimento dessas recomendações otimiza os resultados e melhora significativamente a qualidade de vida do paciente.

Considerações gerais 

A cirurgia laparoscópica da hérnia de hiato é um procedimento seguro e eficaz, quando realizada por equipes experientes. As taxas de sucesso ficam entre 85 a 95%, com melhora significativa dos sintomas e melhoria da qualidade de vida.

A taxa de recidiva gira em torno de 5 a 20 % a longo prazo, e estão intimamente ligadas às hérnias gigantes, ganho de peso no período pós-operatório e falta de acompanhamento contínuo.

A abordagem multidisciplinar e extremamente importante, para que o paciente tinha bons resultados a longo prazo

Repetindo o que citei na correção de DRGE, o sucesso da cirurgia depende de uma tríade fundamental:  

  1. Seleção cuidadosa dos paciente, 
  2. Técnica cirúrgica precisa
  3. Adesão do paciente em relação às orientações pós-operatórias

A decisão pela cirurgia deve sempre considerar o equilíbrio entre riscos e benefícios, avaliando cuidadosamente o quadro clínico de cada paciente.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O que é uma hérnia hiatal?

É quando parte do estômago se projeta através do diafragma para o tórax.

2. Quais são os sintomas mais comuns?

Azia, refluxo, dor no peito, sensação de plenitude e náuseas.

3. Hérnia hiatal pode ser assintomática?

Sim, muitos casos não apresentam sintomas significativos.

4. Quais exames confirmam a hérnia hiatal?

Endoscopia, radiografia com contraste, manometria e pHmetria.

5. Quando é indicada a cirurgia?

Em casos graves, com refluxo persistente ou complicações como esofagite.

Dr. Carlos Godinho

CRM: Nº 76.797/SP
RQE Nº: 41950 Cirurgia Geral
RQE Nº: 419501 Cirurgia Bariátrica
Sou graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e fiz residência em Cirurgia Geral pela Faculdade de Medicina do ABC.

Sou Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Bariátrica, tenho mais de 25 anos de atuação e mais de 2.500 bariátricas realizadas.
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