Sleeve

 O sleeve gástrico ou gastrectomia vertical, é uma cirurgia que reduz o tamanho do estômago, promovendo perda de peso eficaz em casos de obesidade grave. Além de limitar a ingestão alimentar, ajuda a controlar comorbidades associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão. Entenda mais sobre esse assunto!

Introdução

O sleeve gástrico ou gastrectomia vertical, é um procedimento cirúrgico que reduz o volume do estômago, criando uma espécie de tubo ou “sleeve”, que limita a ingestão alimentar e favorece a perda de peso. É indicado principalmente para pacientes com moderada e grave e suas comorbidades que não obtiveram sucesso com métodos clínicos convencionais.Ele age através de dos mecanismos puramente restritivos e hormonais, diferente do bypass gástrico, não há desvio do intestino.

Mecanismo de ação:

  • Restrição mecânica: é removido cerca de 70 a 80% do estômago, deixando o novo estômago com uma capacidade muito reduzida, de cerca de 80 a 100ml. 
  • Redução do hormônio da fome (Grelina): a parte do estômago removida é responsável pela produção de grelina, este é o hormônio é responsável pela sensação de fome, com isso promove redução significativa da fome
  • Aceleração do esvaziamento gástrico: A tubulização promove um aumento na pressão interna do estômago tubulizado e promove esvaziamento mais rápido

Além da redução de peso, esse procedimento contribui para a melhora de comorbidades associadas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e apneia do sono. Ele proporciona maior qualidade de vida e bem-estar aos pacientes, reduzindo os riscos de complicações a longo prazo.

Neste artigo, abordaremos as indicações deste procedimento, como ele é realizado, como se preparar e quais os cuidados necessários no período pós-operatório. Leia até o final e saiba mais!

Quais as indicações do sleeve gástrico?

O sleeve é indicado para pacientes que necessitam de perda de peso significativa:

  • IMC ≥ 40 kg/m², sem sucesso em tratamentos clínicos
  • IMC ≥ 35 kg/m² associado a comorbidades graves, como diabetes, apneia do sono, hipertensão, esteatose metabólica (gordura no fígado), dislipidemia (colesterol elevado), entre outras
  • IMC entre 30 e 34,9 kg/m², associado a síndrome metabólica como: diabetes tipo 2 de difícil controle, colesterol elevado e hipertensão arterial de difícil controle clínico e esteatose hepática metabólica 
  • Obesidade resistente a dieta e exercícios
  • Necessidade de controle de doenças associadas à obesidade
  • Pacientes aptos a seguir acompanhamento médico e nutricional rigoroso

A avaliação pré-operatória individualizada é essencial para definir a indicação correta e minimizar riscos.

Como é realizado o sleeve gástrico?

A cirurgia bariátrica do tipo sleeve (ou gastrectomia vertical) é feita com anestesia geral e, na maioria das vezes, por videolaparoscopia, ou seja, através de pequenos cortes na barriga, por onde entram uma câmera e instrumentos finos. 

  • Etapa 1: Mobilização do estômago

O cirurgião libera o estômago de alguns dos seus ligamentos, para que tenha acesso a todo o órgão e possa ser seccionado..

  • Etapa 2: Confecção do Sleeve 

Introdução do calibrador: Uma sonda calibradora (geralmente  de 32 a 40 french) é inserida pela boca do paciente e é posicionada ao longo do estômago, servindo como guia para o grampeamento. 

Secção e grampeamento: Utilizando um grampeador cirúrgico, o estômago é seccionado e grampeado verticalmente, retirando a sua grande curvatura. 

Remoção: A parte do estômago que foi separada de cerca, de 70 a 80% do órgão, é completamente removida do corpo, juntamente com as células produtoras de grelina. O novo estômago em forma de “J”, longo e afilado, promoverá um rápido esvaziamento gástrico

No final do procedimento, o estômago é testado para verificar se não há vazamentos e os cortes são fechados. A cirurgia dura em média 1 a 2 horas, e a recuperação inicial costuma ser rápida, com alta hospitalar no dia seguinte.

Como se preparar para o sleeve ?

O preparo pré-operatório é fundamental e obrigatório, para que a cirurgia seja realizada com segurança e promova a longo prazo perda de peso e melhora das comorbidades

  • Avaliação multidisciplinar obrigatória
  • Avaliação endocrinológica, onde será verificado a falência clínica do tratamento da obesidade
  • Consulta com nutricionista, onde será iniciado todo o processo de reeducação alimentar pré-operatório, bem como orientação da evolução da  dieta no período pós-operatório
  • Consultas e avaliação com psicólogo ou psiquiatra, onde o paciente será preparado quanto às expectativas  e mudança da sua rotina. Preparação emocional para mudanças nos hábitos alimentares e estilo de vida
  • Avaliação cardiológica , ou de outros especialistas caso seja necessário. Onde será submetido a controle das comorbidades existentes, para que seja submetido a cirurgia nas suas melhores condições clinicas
  • Exames pré-operatório como: laboratoriais, imagem e endoscópicos
  • Suspensão de medicamentos que aumentem risco de sangramento
  • Jejum conforme orientação médica antes da cirurgia

Seguir essas recomendações garante maior segurança e eficácia do procedimento.

Como é o período pós-operatório do sleeve ?

A recuperação é um processo importante, requer adaptação a uma nova realidade. e  exige cuidados específicos, a internação requer cerca de 24 horas na maioria dos casos

  • Pós operatório imediato, em ambiente hospitalar
  • Dieta com líquidos claros, água chá gelatina e caldo ralo
  • Monitoramento dos sinais vitais e dor pós-operatória
  • Deambulação precoce e obrigatória
  • Observação de possíveis complicações precoces
  • Pós operatório em casa, primeiras semanas
  • Evolução criteriosa da da dieta líquida , pastosa e sólida
  • Suplementação vitamínica
  • Retorno às atividades de trabalho 
  • Pós operatório tardio, a longo prazo
  • Atividade física, importante na manutenção da massa muscular, de acordo com a liberação da equipe
  • Suplementação vitamínica
  • Acompanhamento ambulatorial da equipe 

O cumprimento dessas orientações é essencial para a perda de peso segura e manutenção da saúde.

Comentários

A perda de peso esperada nos primeiros 18 meses após o procedimento na cirurgia de bypass, gira em torno de 50 a 70% do excesso de peso. Promove melhora e até remissão de comorbidades como diabetes, hipertensão arterial, apneia do sono e dislipidemias. A mudança de hábitos dos pacientes e manutenção de uma atividade física é extremamente relevante para que os resultados sejam mantidos a longo prazo.

As grandes vantagens do sleeve são: menor risco de deficiência nutricional, não causa síndrome de Dumping como no Bypass, por preservação do trânsito duodenal.

As desvantagens superam os benefícios pela sua gravidade. Estamos falando da doença do refluxo gastroesofágico, que pode se intensificar após a cirurgia. Complicação tardia muito frequente nos pacientes submetidos a este procedimento, e cerca de 17% dos pacientes operados de sleeve podem desenvolver Esofago de Barret, que é uma lesão pré-maligna do esôfago

Quanto à recuperação do peso perdido e falência do tratamento cirúrgico é mais frequente no sleeve, quando comparado ao bypass. è importante lembrar também que a longo prazo a perda de peso é menor no sleeve, com resultados esperados entre 50 a 70% do excesso de peso. Em relação ao controle e remissão das comorbidades seus resultados são menos eficazes quando comparado ao bypass.

Como qualquer procedimento cirúrgico, os riscos de complicações precoces e tardias podem ocorrer como, trombose venosa dos membros inferiores, torção do sleeve e obstrução por estenose de parte do novo estômago. O sleeve é uma cirurgia menos poderosa, porém com comprometimento vitalício do paciente, os resultados a longo prazo podem de manter bons resultados.

Complicações tardias como deficiências nutricionais serão minimizadas com acompanhamento do cirurgião bariátrico e equipe multidisciplinar. 

FAQs

1. O que é sleeve bariátrico?
Cirurgia que reduz o estômago, promovendo perda de peso em pacientes com obesidade.

2. Quem pode fazer o procedimento?
Pacientes com IMC ≥ 40, IMC  ≥ 35 com comorbidades associadas e pacientes com síndrome metabólica de difícil controle

3. É uma cirurgia invasiva?
Normalmente realizada por videolaparoscopia, com incisões pequenas, sendo menos invasiva que cirurgia aberta.

4. Quanto tempo dura a cirurgia?
Em média, 1 a 2 horas, dependendo da complexidade.

5. É preciso seguir dieta após a cirurgia?
Sim, dieta líquida, pastosa e sólida progressiva conforme orientação médica.

Dr. Carlos Godinho

CRM: Nº 76.797/SP
RQE Nº: 41950 Cirurgia Geral
RQE Nº: 419501 Cirurgia Bariátrica
Sou graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e fiz residência em Cirurgia Geral pela Faculdade de Medicina do ABC.

Sou Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Bariátrica, tenho mais de 25 anos de atuação e mais de 2.500 bariátricas realizadas.
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