Introdução
A hérnia abdominal é uma condição caracterizada pela presença de um orifício congênito (desde o nascimento) ou adquirido (área de fraqueza) na parede músculo-aponeurótica, localizado na linha média da parede abdominal, em uma região junto ao umbigo (justa umbilical). Esse defeito permite a projeção (escape) de um órgão ou tecido intra-abdominal para fora da cavidade, o que é geralmente manifestado por um abaulamento local. Em cerca de 10% dos adultos, a hérnia umbilical está presente desde o nascimento e representa entre 4 a 13% das hérnias da parede abdominal.
Embora muitas vezes seja assintomática, em alguns casos pode trazer desconforto, dor e risco de complicações, especialmente se não for tratada adequadamente.
Neste artigo, abordaremos o que é, quais causas, quais os sintomas e como é realizado o diagnóstico e o tratamento desta patologia. Leia até o final e saiba mais!
Quais as causas de hérnia umbilical?
A hérnia umbilical no adulto se desenvolve devido a uma fraqueza da parede abdominal, decorrente de um defeito nos colágenos tipo III e IV que são responsáveis pela formação das estruturas músculo-aponeurótica da região umbilical, onde ocorre a passagem dos vasos sanguíneos durante a gestação. Este defeito permite que estruturas intra-abdominais, na maioria das vezes segmentos intestinais ou tecido adiposo, se projetem, resultando em um abaulamento na região umbilical
Entre as principais causas e fatores de risco estão:
- Alterações congênitas no fechamento da parede abdominal
- Obesidade e aumento da pressão intra-abdominal
- Gravidez, especialmente múltipla ou em mulheres com fraqueza muscular
- Tosse crônica ou esforço físico excessivo
- Acúmulo de líquido na cavidade abdominal (ascite)
- Envelhecimento, que enfraquece a musculatura natural
Em bebês, a hérnia umbilical geralmente surge por falha no fechamento completo do anel umbilical, mas tende a se resolver espontaneamente nos primeiros anos de vida. Já em adultos, dificilmente desaparece sem tratamento e pode se agravar com o tempo.
Quais os sintomas de hérnia umbilical?
Os sintomas variam conforme o tamanho da hérnia e se há ou não complicações associadas.
Em muitos casos, o principal sinal é apenas a presença de um abaulamento visível no umbigo, que pode aumentar de tamanho ao realizar esforço físico, tossir ou levantar peso.
Entre os sintomas mais frequentes estão:
- Abaulamento arredondado na região umbilical
- Dor leve a moderada, que pode piorar em atividades físicas
- Sensação de pressão ou desconforto no abdome.
- Mudanças no volume da protuberância, dependendo da posição corporal
A complicação da hérnia inicia-se com o encarceramento, quando o conteúdo herniário fica preso e irredutível. Nessa fase, os sintomas tornam-se agudos e intensos, incluindo dor abrupta, náuseas, vômitos e potencial obstrução intestinal.
Quando o encarceramento não é tratado, a hérnia pode evoluir para o estrangulamento, no qual ocorre o comprometimento da circulação sanguínea no segmento preso (isquemia). Além dos sintomas anteriores, o estrangulamento pode levar à necrose do tecido, manifestada por sinais como a coloração vermelha ou arroxeada da pele sobre a hérnia e a piora progressiva do estado geral do paciente.
Nesses casos, a intervenção médica de urgência é indispensável para evitar riscos maiores e potencialmente fatais. A percepção precoce desses sinais é fundamental para buscar ajuda médica e garantir que o tratamento seja indicado antes que ocorram complicações.
Como é feito o diagnóstico de hérnia umbilical?
O diagnóstico da hérnia umbilical costuma ser clínico, ou seja, baseado na observação do abaulamento na região do umbigo durante o exame físico.
O médico pode solicitar ao paciente que faça manobras (manobra de valsalva), como tossir ou se levantar, para verificar a intensidade da protrusão.
Em alguns casos, exames complementares ajudam a confirmar a condição ou avaliar possíveis complicações, como:
- Ultrassonografia de parede abdominal para avaliar o tamanho e o conteúdo da hérnia
- Tomografia computadorizada em situações mais complexas
- Exames laboratoriais quando há suspeita de complicação associada
A avaliação precoce é essencial para definir a necessidade de tratamento cirúrgico. Além disso, ajuda a descartar outras condições que podem causar abaulamento abdominal, garantindo maior segurança e eficácia no diagnóstico.
Como é feito o tratamento de hérnia umbilical?
O tratamento depende da idade do paciente, da gravidade da hérnia e da presença de sintomas. Em crianças, muitas hérnias umbilicais fecham espontaneamente até os 4 ou 5 anos de idade, dispensando cirurgia imediata.
Já em adultos, o tratamento cirúrgico é a forma mais indicada de tratamento, pois não existe tratamento clínico, já que não há medicamentos ou terapias capazes de corrigir a fraqueza da parede abdominal. O objetivo é reposicionar o conteúdo abdominal herniado e reforçar a musculatura da região, prevenindo recidivas.
As principais técnicas utilizadas são:
- Cirurgia aberta
- Feita por incisão preferencialmente infraumbilical , de cerca de 2 cm. Dependendo da extensão do defeito, pode ser realizada através de incisão transumbilical.
- O cirurgião identifica o defeito , reduz o saco herniário e posteriormente faz a sutura (fechamento ) do defeito herniário com pontos cirúrgicos.
- Cirurgia videolaparoscópica
- Realizada através de 3 pequenas incisões de 5 mm a 1 cm na parede lateral ou inferior do abdome
- Uma câmera e instrumentais cirúrgicos são é introduzidos na cavidade abdominal
- O cirurgião visualiza o defeito herniário, expõe toda a região e o defeito da parede abdominal, por dentro do abdome, fecha o defeito. A tela poderá ser colocada dependendo da extensão da falha aponeurótica.
A cirurgia videoendoscópica, por ser minimamente invasiva apresenta vantagem quanto a recuperação e dor pós-operatória, sua desvantagem é que necessita de anestesia geral para ser realizada.
A colocação de tela cirúrgica para reforço da parede abdominal e evitar recidivas está indicada em grandes defeitos e quando associado a diástase dos músculos retoabdominais (afastamento dos músculos retoabdominal na linha média).
O período de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia, mas geralmente o paciente pode retomar atividades leves em alguns dias, evitando esforços mais intensos até a liberação médica.
A cirurgia é segura e apresenta ótimos resultados, reduzindo riscos de complicações graves.
Como se preparar para a cirurgia de hérnia umbilical?
O paciente deve ser submetido a uma avaliação clínica pré-operatória que contempla exames laboratoriais e de imagem acompanhado de avaliação cardíaca, necessário para que o paciente seja submetido ao procedimento nas suas melhores condições clínicas.
É essencial informar ao cirurgião sobre o uso de medicamentos contínuos. Em caso de uso de anticoagulante, é necessário suspender conforme orientação médica.
No dia anterior ao procedimento, recomenda-se alimentação leve e jejum conforme prescrição. Além disso, é importante:
- suspender o tabagismo com antecedência e evitar o consumo de bebidas alcoólicas
- Manter boa higiene local
- É recomendado que a tricotomia (retirada dos pelos locais) deverá ser realizada em nível hospitalar
- Comparecer ao hospital com antecedência, em jejum oral de 8 horas, com roupas confortáveis, documentos pessoais e toda a avaliação pré-operatória solicitada.
O preparo psicológico também é relevante, pois ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse antes da operação.
Seguir todas as recomendações médicas e esclarecer dúvidas com a equipe cirúrgica são passos fundamentais para um procedimento seguro, eficaz e que minimize as complicações e queixas após o procedimento.
Como é o período pós-operatório de cirurgia de correção de hérnia umbilical?
A alta hospitalar ocorre geralmente no mesmo dia da cirurgia ou, no máximo, no dia seguinte. No período pós-operatório, recomenda-se evitar esforços físicos intensos e seguir rigorosamente as orientações médicas. O desconforto pode estar presente, porém é bem controlado com analgésicos e repouso relativo.
O tempo de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia, mas em geral os pacientes retomam suas atividades normais em cerca de 1 a 2 semanas.
Os principais cuidados incluem:
- Manter o curativo limpo e seco
- Caminhar suavemente para prevenir trombose
- Usar roupas leves e evitar pressão na região operada
- Retornar às atividades físicas apenas após liberação médica
Em casos de dor intensa, febre ou vermelhidão no local, o médico deve ser avisado imediatamente. O acompanhamento nas consultas de revisão garante que o processo de cicatrização ocorra de forma adequada, evitando recidivas e complicações futuras.
Comentários
A fisiopatologia das hérnias está ligada a um defeito de formação do colágeno nos tecidos músculo-aponeuróticos, porém na correção das hérnias umbilicais, nem sempre está indicado a colocação de uma tela cirúrgica.
A grande maioria das hérnias umbilicais são tratadas apenas com rafia (aproximação) das bordas aponeuróticas e com ótimos resultados, apenas 25% dos pacientes com hérnia apresentam defeitos maiores que 3 cm. A colocação de tela cirúrgica está reservada para defeitos maiores que 2 cm, quando há recidiva ou quando está associado a diástase de reto, sempre com a finalidade de evitar a recidiva, e devem ser colocados se possível após os 16 anos de idade.
A abordagem por videolaparoscopia tem sua preferência quando a correção da hérnia será concomitante à correção da diástase de reto abdominal, que poderá ser realizada no campo subdérmico no espaço subcutâneo ou intra-abdominal através da robótica.
FAQs
- O que é hérnia umbilical?
É a saída de parte do intestino ou outro tecido abdominal pela fraqueza na região do umbigo. - Quais são os principais sintomas da hérnia umbilical?
Abaulamento no umbigo, dor leve ou moderada e desconforto abdominal. - Hérnia umbilical em bebês desaparece sozinha?
Sim, muitas fecham espontaneamente até os 2 anos de idade. - Como confirmar o diagnóstico de hérnia umbilical?
Com exame físico e, se necessário, ultrassonografia ou tomografia. - Qual o tratamento mais indicado para hérnia umbilical?
Na maioria dos casos em adultos, a cirurgia é o tratamento definitivo.

