Hérnia inguinal

 A hérnia inguinal ocorre quando há um orifício na parede abdominal, na região da virilha, que permite a projeção de tecido abdominal, formando um abaulamento. Esse quadro pode causar dor, desconforto e complicações graves quando não tratado adequadamente. Entenda mais sobre esse assunto!

Introdução

A hérnia abdominal é uma condição caracterizada por um orifício congênito (desde o nascimento) ou adquirido (área de fraqueza) na parede músculo-aponeurótica da parede abdominal. Este defeito permite a projeção (escape) de um órgão ou tecido intra abdominal para fora da cavidade, geralmente manifestado por um abaulamento local. As hernia inguinais correspondem a 70% das hérnia da parede abdominal 

Na hérnia inguinal essa alteração ocorre especificamente na região da virilha, causando desconforto, dor e limitações no dia a dia, que pioram com o esforço e melhoram com o repouso. Trata-se de uma das formas mais comuns de hérnia abdominal nos adultos, afetando principalmente o sexo masculino. Como já referido, podem se manifestar em crianças.

Neste artigo, abordaremos o que é, quais as causas, quais os sintomas e como é realizado o diagnóstico e o tratamento desta afecção. Leia até o final e saiba mais!

Quais as causas de hérnia inguinal?

A hérnia inguinal se desenvolve devido a uma fraqueza da parede abdominal, decorrente de um defeito nos colágenos tipo III e IV que são responsáveis pela formação das estruturas músculo-aponeurótica. Este defeito permite que estruturas intra-abdominais, na maioria das vezes segmentos intestinais ou tecido adiposo, se projetem para a região da virilha, resultando em um abaulamento nesta região. 

Doenças associadas que causam aumento da pressão abdominal, estão entre os maiores fatores de risco, abaixo estão descritas as principais causas:

  • Predisposição genética e histórico familiar
  • Esforços físicos repetitivos ou levantamento de peso
  • Tosse crônica ou constipação frequente
  • Obesidade e aumento da pressão abdominal
  • Envelhecimento, que enfraquece a musculatura natural

O tabagismo é um fator coadjuvante importante, pois, devido ao aumento do risco de envelhecimento precoce e crônico, promove mais frequentemente o aparecimento de hérnias.

A adoção de hábitos saudáveis, como manter o peso adequado, cessar o tabagismo, evitar esforços exagerados, tratar doenças respiratórias ou intestinais crônicas, pode contribuir para reduzir o risco de surgimento da hérnia inguinal.

Quais os sintomas de hérnia inguinal?

Os sintomas da hérnia inguinal variam de acordo com o tamanho e a evolução do quadro. Em algumas situações, pode ser silenciosa e só descoberta em exames clínicos ou de imagem. Porém, a maioria dos pacientes percebe sinais característicos que dificultam a sua atividade diária.

Os sintomas mais comuns incluem:

  • Abaulamento ou protuberância na região da virilha
  • Dor ou sensação de peso, principalmente ao esforço físico
  • Desconforto ao tossir, levantar objetos, ficar em pé por longos períodos ou esforço miccional de idosos com sintomas prostáticos.
  • Ardência ou pressão na região afetada

A complicação da hérnia inicia-se com o encarceramento, quando o conteúdo herniário fica preso e irredutível. Nessa fase, os sintomas tornam-se agudos e intensos, incluindo dor abrupta, náuseas, vômitos e potencial obstrução intestinal. 

Quando o encarceramento não é tratado, a hérnia pode evoluir para o estrangulamento, no qual ocorre o comprometimento da circulação sanguínea no segmento preso (isquemia). Além dos sintomas anteriores, o estrangulamento pode levar à necrose do tecido, manifestada por sinais como a coloração vermelha ou arroxeada da pele sobre a hérnia e a piora progressiva do estado geral do paciente. 

Nesses casos, a intervenção médica de urgência é indispensável para evitar riscos maiores e potencialmente fatais. A percepção precoce desses sinais é fundamental para buscar ajuda médica e garantir que o tratamento seja indicado antes que ocorram complicações.

Como é feito o diagnóstico de hérnia inguinal?

O diagnóstico da hérnia inguinal é realizado principalmente por história clínica e exame físico, no qual o médico avalia a presença do abaulamento na região da virilha. 

Essa saliência tende a se evidenciar quando o paciente tosse, faz esforço ou permanece em pé, o que facilita a confirmação do quadro. Em casos em que há dúvidas diagnóstica e necessidade de planejamento cirúrgico, exames de imagem podem ser solicitados, como:

  • Ultrassonografia da parede abdominal e região inguinal
  • Tomografia computadorizada de abdome
  • Ressonância magnética de abdome

Esses exames fornecem informações detalhadas sobre o tamanho da hérnia, seu conteúdo e possíveis complicações, como encarceramento, e também revela a condição anatômica da região acometida. Se a ultrassonografia for realizada com doppler poderá ser revelada a isquemia do conteúdo herniado. A avaliação precoce permite indicar o tratamento adequado e reduzir o risco de evolução para situações de emergência. 

Por isso, ao identificar sintomas ou sinais suspeitos, a consulta com um cirurgião é essencial para garantir segurança no manejo da hérnia inguinal.

Como é feito o tratamento de hérnia inguinal?

O tratamento cirúrgico é indicado em pacientes  sintomáticos. O tratamento definitivo da hérnia inguinal é sempre cirúrgico, não existe tratamento clínico, já que não há medicamentos ou terapias capazes de corrigir a fraqueza da parede abdominal. O objetivo é reposicionar o conteúdo abdominal herniado e reforçar a musculatura da região, prevenindo recidivas.

As principais técnicas utilizadas são:

  1. Cirurgia aberta
  • Feita por incisão na região inguinal de cerca de 5 a 10 cm
  • O cirurgião identifica o defeito , isola e reduz o saco e o conteúdo abdominal e posteriormente fixar uma tela cirúrgica
  1. Cirurgia videolaparoscópica
    • Realizada através de 3 pequenas incisões de 5 mm a 1 cm na parede abdominal
    • Uma câmera  e instrumentais cirúrgicos são é introduzidos na cavidade abdominal
    • O cirurgião visualiza o defeito herniário, expõe toda a região e o defeito da parede abdominal, por dentro do abdome  e posteriormente coloca uma tela cirúrgica para correção desta hérnia.

A cirurgia videoendoscópica, por ser minimamente invasiva apresenta vantagem quanto a recuperação e dor pós-operatória, sua desvantagem é que necessita de anestesia geral para ser realizada.

A colocação de tela cirúrgica, é mandatória, para correção e reforço da parede abdominal, com a finalidade de reduzir o risco de recidiva da hérnia. 

A escolha da técnica ideal depende sempre da avaliação do cirurgião e das condições individuais do paciente, porém a videolaparoscopia tem sua indicação mais frequente, devido ser uma cirurgia minimamente invasiva.

Como se preparar para a cirurgia de hérnia inguinal ?

O paciente deve ser submetido a uma avaliação clínica pré-operatória que contempla  exames laboratoriais e de imagem acompanhado de avaliação cardíaca, necessário para que o paciente seja submetido ao procedimento nas suas melhores condições clínicas. 

É essencial informar ao cirurgião sobre o uso de medicamentos contínuos. Em caso de uso de anticoagulante, é necessário suspender conforme orientação médica.

No dia anterior ao procedimento, recomenda-se alimentação leve e jejum conforme prescrição. Além disso, é importante:

  • suspender o tabagismo com antecedência e evitar o consumo de  bebidas alcoólicas
  • Manter boa higiene local 
  • É recomendado que a tricotomia (retirada dos pelos locais) deverá ser realizada em nível hospitalar
  • Comparecer ao hospital com antecedência, em jejum oral de 8 horas, com roupas confortáveis, documentos pessoais e toda a avaliação pré-operatória solicitada.

O preparo psicológico também é relevante, pois ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse antes da operação. 

Seguir todas as recomendações médicas e esclarecer dúvidas com a equipe cirúrgica são passos fundamentais para um procedimento seguro, eficaz e que minimize as complicações e queixas após o procedimento.

Como é o período pós-operatório de cirurgia de correção de hérnia inguinal ?

A alta hospitalar ocorre geralmente no mesmo dia da cirurgia ou, no máximo, no dia seguinte. No período pós-operatório, recomenda-se evitar esforços físicos intensos e seguir rigorosamente as orientações médicas. O desconforto pode estar presente, porém é bem controlado com analgésicos e repouso relativo. 

O tempo de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia, mas em geral os pacientes retomam suas atividades normais em cerca de 1 a 2 semanas. 

Os principais cuidados incluem:

  • Manter o curativo limpo e seco
  • Caminhar suavemente para prevenir trombose
  • Usar roupas leves e evitar pressão na região operada
  • Retornar às atividades físicas apenas após liberação médica

Em casos de dor intensa, febre ou vermelhidão no local, o médico deve ser avisado imediatamente. O acompanhamento nas consultas de revisão garante que o processo de cicatrização ocorra de forma adequada, evitando recidivas e complicações futuras.

Comentários

Como a fisiopatologia das hérnias está ligada a um defeito de formação do colágeno nos tecidos músculo-aponeuróticos, a correção com colocação de tela cirúrgica é mandatória. A técnica com prótese apresenta menores índices de recidiva que variam de 0,8 a 1,3%, o que justifica a sua indicação.

A videolaparoscopia é um avanço significativo na medicina, permitindo que o cirurgião realize procedimentos na cavidade abdominal e pélvica através de pequenas incisões (geralmente de 0,5 a 1,5 cm), utilizando uma microcâmera de vídeo e instrumentos cirúrgicos especializados.

As principais vantagens dessa técnica minimamente invasiva, que a tornam a escolha mais frequente, incluem:

  • Menor trauma cirúrgico: As incisões menores resultam em menos lesão aos tecidos.
  • Menor dor pós-operatória: A redução do trauma leva a um menor desconforto no período de recuperação.
  • Recuperação mais rápida: O paciente tende a retornar às suas atividades diárias mais cedo.
  • Menor tempo de internação hospitalar: Muitos pacientes recebem alta no mesmo dia ou em até 24-48 horas.
  • Melhor resultado estético: As cicatrizes são pequenas e mais discretas.
  • Menor risco de infecções: As incisões menores diminuem a exposição a agentes infecciosos.

Em resumo, a hérnia inguinal é uma condição comum e tratável com segurança. É importante lembrar que a escolha da técnica deve ser individualizada e discutida entre o paciente e o cirurgião, sempre levando em conta os sintomas, os riscos e benefícios do procedimento a ser realizado.

FAQs

  1. O que é hérnia inguinal?
    É a saída de parte do intestino ou conteúdo abdominal pela fraqueza da parede abdominal na região da virilha.
  2. Quais os principais sintomas da hérnia inguinal?
    Abaulamento na virilha, dor, pressão e desconforto ao esforço físico.
  3. Como diagnosticar a hérnia inguinal?
    Por história clínica e exame físico, exames de imagem, como ultrassom e tomografia podem ser solicitados para confirmação do quadro
  4. Qual o tratamento indicado para hérnia inguinal?
    O tratamento definitivo é cirúrgico, podendo ser aberto ou laparoscópico.

Hérnia inguinal pode complicar?
Sim, pode evoluir para encarceramento ou estrangulamento, exigindo cirurgia urgente.

Dr. Carlos Godinho

CRM: Nº 76.797/SP
RQE Nº: 41950 Cirurgia Geral
RQE Nº: 419501 Cirurgia Bariátrica
Sou graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e fiz residência em Cirurgia Geral pela Faculdade de Medicina do ABC.

Sou Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Bariátrica, tenho mais de 25 anos de atuação e mais de 2.500 bariátricas realizadas.
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