Hérnia femoral

A hérnia femoral é um tipo de hérnia abdominal que ocorre quando uma porção do intestino ou tecido abdominal se projeta através de uma área de fraqueza próxima ao canal femoral, na região da virilha. Essa condição pode causar dor e desconforto, exigindo atenção médica. Entenda mais sobre esse assunto!

Introdução

A hérnia abdominal é uma condição caracterizada por um orifício congênito (desde o nascimento) ou adquirido (área de fraqueza) na parede músculo-aponeurótica da parede abdominal. Este defeito permite a projeção (escape) de um órgão ou tecido intra abdominal para fora da cavidade, geralmente manifestado por um abaulamento local. As hernia femoral correspondem a 5% das hérnia da parede abdominal 

A hérnia femoral, em específico, ocorre na região da virilha, quando o tecido abdominal se projeta pelo canal femoral. Embora seja menos comum entre as hérnias da parede anterolateral do abdome, pode provocar complicações graves se não for tratada adequadamente.

Neste artigo, abordaremos o que é, quais causas, quais os sintomas e como é realizado o diagnóstico e o tratamento desta patologia. Leia até o final e saiba mais!

Quais as causas da hérnia femoral?

A hérnia femoral se desenvolve devido a uma fraqueza da parede abdominal, decorrente de um defeito nos colágenos tipo III e IV que são responsáveis pela formação das estruturas músculo-aponeurótica. Este defeito junto ao canal femoral, permite que estruturas intra-abdominais, sejam projetadas por onde passam vasos sanguíneos importantes, resultando em um abaulamento neste local Essa fragilidade pode estar presente desde o nascimento ou ser adquirida ao longo da vida.

Doenças associadas que causam aumento da pressão abdominal, estão entre os maiores fatores de risco, abaixo estão descritas as principais causas:

Entre os principais fatores de risco para o surgimento dessa condição estão:

  • Esforços repetitivos e levantamento de peso.
  • Constipação crônica e tosse persistente.
  • Gravidez, devido ao aumento da pressão intra-abdominal.
  • Envelhecimento, que pode enfraquecer naturalmente a musculatura.

Esse tipo de hérnia é mais frequente em mulheres, principalmente acima dos 40 anos, devido às características anatômicas da pelve. Além disso, pessoas com histórico familiar de hérnia apresentam maior predisposição para o desenvolvimento da doença.

O tabagismo é um fator coadjuvante importante, pois, devido ao aumento do risco de envelhecimento precoce e crônico, promove mais frequentemente o aparecimento de hérnias. 

A adoção de hábitos saudáveis, como manter o peso adequado, cessar o tabagismo, evitar esforços exagerados, tratar doenças respiratórias ou intestinais crônicas, pode contribuir para reduzir o risco de surgimento da hérnia.

Quais os sintomas da hérnia femoral?

Os sintomas da hérnia femoral variam de acordo com o tamanho e a evolução do quadro. Em alguns casos pode ser silenciosa e só descoberta em exames clínicos ou de imagem, mas geralmente apresenta sinais visíveis e desconforto na região inguinofemoral.

Entre os sintomas mais comuns estão:

  • Abaulamento na região da raiz da coxa ou virilha.
  • Dor ou sensibilidade localizada, que pode piorar ao tossir ou levantar peso.
  • Sensação de peso ou pressão na região afetada.
  • Em casos graves, náuseas, vômitos e dor intensa, indicativos de encarceramento ou estrangulamento da hérnia.

A complicação da hérnia inicia-se com o encarceramento, quando o conteúdo herniário fica preso e irredutível, eventos que são mais comuns nas hérnias femorais, o que exige mais atenção. Nessa fase, os sintomas tornam-se agudos e intensos, incluindo dor abrupta, náuseas, vômitos e potencial obstrução intestinal. 

Quando o encarceramento não é tratado, a hérnia pode evoluir para o estrangulamento, no qual ocorre o comprometimento da circulação sanguínea no segmento preso (isquemia). Além dos sintomas anteriores, o estrangulamento pode levar à necrose do tecido, manifestada por sinais como a coloração vermelha ou arroxeada da pele sobre a hérnia e a piora progressiva do estado geral do paciente. 

Nesses casos, a intervenção médica de urgência é indispensável para evitar riscos maiores e potencialmente fatais. A percepção precoce desses sinais é fundamental para buscar ajuda médica e garantir que o tratamento seja indicado antes que ocorram complicações.

Como é feito o diagnóstico da hérnia femoral?

O diagnóstico da hérnia femoral começa com uma avaliação clínica detalhada, feita pelo médico durante o exame físico. O profissional observa a presença de abaulamento na região da inguinofemoral e avalia sua sensibilidade.

Para confirmar e detalhar o diagnóstico, podem ser solicitados exames de imagem, como:

  • Ultrassonografia de abdômen e região inguinofemoral
  • Tomografia computadorizada, útil para casos complexos.
  • Ressonância magnética, em situações que exigem maior detalhamento.

Esses exames ajudam a identificar o tamanho da hérnia, sua localização exata e se há sinais de complicações, como encarceramento ou estrangulamento. O diagnóstico precoce é fundamental para definir o tratamento adequado e prevenir riscos maiores à saúde do paciente.

Como é feito o tratamento da hérnia femoral?

O tratamento da hérnia femoral geralmente envolve cirurgia, já que há risco elevado de complicações graves se a condição não for corrigida. Diferente de outros tipos de hérnia, a hérnia femoral possui maior propensão ao encarceramento.

As principais técnicas utilizadas são:

  1. Cirurgia aberta
  • Feita por incisão na região inguinal de cerca de 5 a 10 cm
  • O cirurgião identifica o defeito , isola e reduz o saco e o conteúdo abdominal e posteriormente fixar uma tela cirúrgica
  1. Cirurgia videolaparoscópica
    • Realizada através de 3 pequenas incisões de 5 mm a 1 cm na parede abdominal
    • Uma câmera  e instrumentais cirúrgicos são é introduzidos na cavidade abdominal
    • O cirurgião visualiza o defeito herniário, expõe toda a região e o defeito da parede abdominal, por dentro do abdome  e posteriormente coloca uma tela cirúrgica para correção da hérnia.

A cirurgia videoendoscópica, resulta em menor recorrência e menor dor pós-operatórias, por isso deve ser o acesso escolhido

A colocação de tela cirúrgica, é mandatória, para correção e reforço da parede abdominal, com a finalidade de reduzir o risco de recidiva da hérnia. 

O acompanhamento pós-operatório é fundamental, e o paciente deve evitar esforços físicos durante o período de recuperação. A intervenção precoce proporciona melhores resultados e reduz as chances de complicações.

Como se preparar para a cirurgia de hérnia femoral?

O paciente deve ser submetido a uma avaliação clínica pré-operatória que contempla  exames laboratoriais e de imagem acompanhado de avaliação cardíaca, necessário para que o paciente seja submetido ao procedimento nas suas melhores condições clínicas. 

É essencial informar ao cirurgião sobre o uso de medicamentos contínuos. Em caso de uso de anticoagulante, é necessário suspender conforme orientação médica.

No dia anterior ao procedimento, recomenda-se alimentação leve e jejum conforme prescrição. Além disso, é importante:

  • suspender o tabagismo com antecedência e evitar o consumo de  bebidas alcoólicas
  • Manter boa higiene local é recomendado que a tricotomia (retirada dos pelos locais) deverá ser realizada em nível hospitalar
  • Comparecer ao hospital com antecedência, em jejum oral de 8 horas,com roupas confortáveis, documentos pessoais e toda a avaliação pré-operatória solicitada.

O preparo psicológico também é relevante, pois ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse antes da operação. 

Seguir todas as recomendações médicas e esclarecer dúvidas com a equipe cirúrgica são passos fundamentais para um procedimento seguro, eficaz e que minimize as complicações e queixas após o procedimento.

Como é o período pós-operatório de cirurgia de correção de hérnia femoral ?

A alta hospitalar ocorre geralmente no mesmo dia da cirurgia ou, no máximo, no dia seguinte. No período pós-operatório, recomenda-se evitar esforços físicos intensos e seguir rigorosamente as orientações médicas. O desconforto pode estar presente, porém é bem controlado com analgésicos e repouso relativo.

O tempo de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia, mas em geral os pacientes retomam suas atividades normais em cerca de 1 a 2 semanas. 

Os principais cuidados incluem:

  • Manter o curativo limpo e seco
  • Caminhar suavemente para prevenir trombose
  • Usar roupas leves e evitar pressão na região operada
  • Retornar às atividades físicas apenas após liberação médica

Em casos de dor intensa, febre ou vermelhidão no local, o médico deve ser avisado imediatamente. O acompanhamento nas consultas de revisão garante que o processo de cicatrização ocorra de forma adequada, evitando recidivas e complicações futuras.

Comentários

Como a fisiopatologia das hérnias está ligada a um defeito de formação do colágeno nos tecidos músculo-aponeuróticos, a correção com colocação de tela cirúrgica é mandatória. 

A videolaparoscopia é um avanço significativo na medicina, permitindo que o cirurgião realize procedimentos na cavidade abdominal e pélvica através de pequenas incisões (geralmente de 0,5 a 1,5 cm), utilizando uma microcâmera de vídeo e instrumentos cirúrgicos especializados, A Videolaparoscopia na correção das hérnias femorais, resulta em menor recorrência e menor dor pós-operatórias, por isso deve ser o acesso escolhido. O acesso endoscópico permite a colocação de telas cirúrgicas maiores que recobrem e corrijam melhor os defeitos desta região.

As principais vantagens dessa técnica minimamente invasiva, que a tornam a escolha mais frequente, incluem:

  • Menor taxa de recidiva (principal vantagem): Correção com telas de maiores dimensões cobrindo melhor o defeito, 
  • Menor trauma cirúrgico: As incisões menores resultam em menos lesão aos tecidos.
  • Menor dor pós-operatória: A redução do trauma leva a um menor desconforto no período de recuperação.
  • Recuperação mais rápida: O paciente tende a retornar às suas atividades diárias mais cedo.
  • Menor tempo de internação hospitalar: Muitos pacientes recebem alta no mesmo dia ou em até 24-48 horas.
  • Melhor resultado estético: As cicatrizes são pequenas e mais discretas.
  • Menor risco de infecções: As incisões menores diminuem a exposição a agentes infecciosos.

Em resumo, a hérnia femoral é uma condição comum e tratável com segurança. É importante lembrar que a escolha da técnica deve ser individualizada e discutida entre o paciente e o cirurgião, sempre levando em conta os sintomas, os riscos e benefícios do procedimento a ser realizado.

FAQs

  1. Hérnia femoral é mais comum em homens ou mulheres?
    É mais comum em mulheres, principalmente acima dos 40 anos.
  2. A hérnia femoral pode desaparecer sozinha?
    Não, a condição exige acompanhamento médico e, geralmente, cirurgia.
  3. Quais sinais indicam complicações da hérnia femoral?
    Dor intensa, náuseas e endurecimento da região podem indicar encarceramento.
  4. Qual o exame mais usado para diagnosticar hérnia femoral?
    A ultrassonografia é o exame inicial mais solicitado pelos médicos.
  5. A cirurgia de hérnia femoral é segura?
    Sim, é considerada um procedimento seguro e com alta taxa de sucesso.

Dr. Carlos Godinho

CRM: Nº 76.797/SP
RQE Nº: 41950 Cirurgia Geral
RQE Nº: 419501 Cirurgia Bariátrica
Sou graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e fiz residência em Cirurgia Geral pela Faculdade de Medicina do ABC.

Sou Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Bariátrica, tenho mais de 25 anos de atuação e mais de 2.500 bariátricas realizadas.
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