Fissura, fístula e hemorroida: quando operar?

Fissura, fístula e hemorroida são afecções anorretais comuns que geram dor, sangramento e desconforto. Entender suas diferenças, opções de tratamento e quando a cirurgia está indicada é essencial para prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida do paciente. Entenda mais sobre esse assunto!

Médico aponta para um modelo anatômico da região retal, destacando condições como hemorroidas, fissuras e fístulas.

Fissura anal, fístula anal e hemorroida são doenças proctológicas comuns que afetam milhões de pessoas em todo o mundo, causando desconforto, dor e impacto significativo na qualidade de vida. 

Embora compartilhem sinais e sintomas semelhantes, como dor e sangramento às evacuações, cada uma dessas condições tem causas, características e tratamentos distintos. 

Muitas vezes, o tratamento clínico é suficiente, mas em certos casos, a cirurgia pode ser a melhor opção.

Neste artigo, abordaremos as diferenças entre fissura, fístula e hemorroida, os tratamentos clínicos e quando é necessário operar. Leia até o final e saiba mais!

 

Diferenças entre fissura anal, fístula anal e hemorroida: como identificar cada uma

Embora compartilhem sintomas semelhantes, fissura anal, fístula anal e hemorroidas são patologias distintas que exigem abordagens diferentes.

A fissura anal é uma pequena lesão linear na mucosa do canal anal, geralmente causada mais frequentemente por evacuação de fezes endurecidas ou diarreias, ou trauma no canal anal. Os principais sinais e sintomas incluem:

  • Dor intensa durante e após a evacuação;
  • Sangramento vermelho vivo no papel higiênico;
  • Sensação de laceração, corte na região anal.

 

A fístula anal, por sua vez, é um trajeto anormal entre o canal anal e a pele ao redor do ânus, muitas vezes resultado de um abscesso que não drenou ou esvaziou adequadamente. Os sintomas típicos são:

  • Secreção purulenta;
  • Dor ao sentar ou evacuar;
  • Presença de orifícios ao redor do ânus;
  • É muito comum infecção recorrente.

 

Já as hemorroidas são veias dilatadas na região anal e podem ser internas ou externas. Os sintomas comuns incluem:

  • Sangramento ao evacuar;
  • Prolapso (quando a hemorroida “sai” pelo ânus);
  • Coceira e desconforto anal;
  • Dor intensa nas tromboses hemorroidarias..

 

O diagnóstico correto deve ser feito por um médico cirurgião, com exame físico e, se necessário, exames complementares, através de uma anuscopia e exames de imagem. Diferenciar corretamente essas condições é o primeiro passo para escolher o tratamento adequado e evitar complicações futuras.

Tratamentos clínicos e quando eles são suficientes

O tratamento clínico é a primeira linha de abordagem para fissura anal e hemorroida, especialmente nos casos leves ou iniciais.

Para a fissura anal, o foco inicial está em aliviar a dor e promover a cicatrização:

  • Banhos de assento com água morna;
  • Uso de pomadas cicatrizantes ou com anestésicos;
  • Amolecimento das fezes com dieta rica em fibras e aumento da ingestão de água.

 

As hemorroidas também costumam responder bem ao tratamento clínico, especialmente nas fases iniciais:

  • Mudanças na dieta e hidratação;
  • Pomadas anti-inflamatórias ou com anestésicos;
  • Evitar esforço ao evacuar e permanecer muito tempo sentado no vaso.

 

a fístula anal dificilmente se resolve apenas com tratamento clínico, mas algumas medidas podem ajudar a controlar os sintomas temporariamente:

  • Higiene adequada;
  • Antibióticos, se houver infecção ativa;
  • Banhos de assento;
  • Nesta afecção o tratamento cirúrgico é mandatório.

 

O sucesso do tratamento clínico depende da gravidade e da resposta individual de cada paciente.

 

Indicações cirúrgicas: quando é hora de operar

A cirurgia é indicada quando o tratamento clínico não oferece resultados satisfatórios ou quando há complicações associadas à fissura, fístula ou hemorroidas.

Na fissura anal, a cirurgia é considerada nos casos crônicos (com mais de 6-8 semanas de evolução), especialmente quando:

  • A dor é persistente e limitante;
  • Há falha no tratamento clínico;
  • Existem espasmos intensos no esfíncter anal.

A técnica mais comum é a esfincterotomia lateral interna, que alivia a tensão no esfíncter e favorece a cicatrização.

No caso da fístula anal, a cirurgia é geralmente inevitável, já que raramente ocorre cura espontânea. Os procedimentos mais comuns são:

  • Fistulotomia (abertura do trajeto fistuloso);
  • Fistulectomia com retirada de todo o trajeto;
  • Colocação de sedenho (fio que auxilia na drenagem e cicatrização);
  • Técnicas de retalho ou preenchimento com cola biológica, em casos mais complexos.

 

Para hemorroidas, a cirurgia é indicada quando:

  • Há prolapso persistente e sintomático;
  • O sangramento é frequente e significativo;
  • Os sintomas impactam a qualidade de vida, mesmo após tratamento clínico.

 

As opções variam de hemorroidectomia convencional a técnicas menos invasivas, como grampeamento ou laser. 

Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando os riscos, benefícios e histórico do paciente. A decisão cirúrgica deve sempre ser compartilhada entre médico e paciente.

Dr. Carlos Godinho

CRM: Nº 76.797/SP
RQE Nº: 41950 Cirurgia Geral
RQE Nº: 419501 Cirurgia Bariátrica
Sou graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Santos e fiz residência em Cirurgia Geral pela Faculdade de Medicina do ABC.

Sou Especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Bariátrica, tenho mais de 25 anos de atuação e mais de 2.500 bariátricas realizadas.
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