Introdução
A hérnia abdominal é uma condição caracterizada por um orifício (área de fraqueza) na parede muscular do abdômen em determinada região, que permite a projeção de uma porção do intestino ou de tecido abdominal através desse ponto para o exterior, geralmente causando um abaulamento visível na pele.
No caso da hérnia epigástrica, esse problema ocorre especificamente na região superior do abdome, sua incidencia varia de 3 a 5% , é mais comum no sexo masculino, e esta localizada entre o umbigo e o osso esterno.
Embora nem sempre apresente sintomas intensos, pode provocar dor, desconforto e impactar a qualidade de vida do paciente.
Neste artigo, abordaremos o que é, quais causas, quais os sintomas e como é realizado o diagnóstico e o tratamento desta patologia. Leia até o final e saiba mais!
Quais as causas da hérnia epigástrica?
A hérnia epigástrica se desenvolve devido a uma fraqueza da parede abdominal, decorrente de um defeito nos colágenos tipo III e IV que são responsáveis pela formação das estruturas músculo-aponeurótica na linha alba que é a faixa fibrosa localizada no centro do abdome. Essa fragilidade pode ser congênita ou adquirida ao longo da vida.
Entre os principais fatores que podem desencadear a formação da hérnia, destacam-se:
- Esforços repetitivos e levantamento de peso excessivo.
- Tosse crônica ou constipação persistente, que aumentam a pressão intra-abdominal.
- Sobrepeso e obesidade, que sobrecarrega a parede abdominal.
- Alterações congênitas na musculatura da região epigástrica.
Essa condição pode ocorrer em pessoas de qualquer idade, mas é mais comum em adultos. Em muitos casos, pequenas hérnias epigástricas podem passar despercebidas, sendo identificadas apenas em exames físicos de rotina.
Quais os sintomas da hérnia epigástrica?
A hérnia epigástrica pode se manifestar de forma variada, dependendo do tamanho da abertura e da estrutura que se projeta. O sintoma mais comum é a presença de um abaulamento na região superior do abdômen, visível especialmente ao realizar esforço físico.
Outros sintomas que podem estar presentes incluem:
- Dor localizada, geralmente descrita como queimação ou pressão.
- Sensação de desconforto após refeições ou ao levantar peso.
- Aumento do volume do abaulamento ao tossir ou se esforçar.
Vale destacar que nem todas as hérnias epigástricas causam sintomas evidentes. Algumas permanecem silenciosas, sendo notadas apenas visualmente. No entanto, mesmo quando indolor, a condição requer acompanhamento médico para prevenir complicações futuras.
A complicação da hérnia epigástrica inicia-se com o encarceramento, quando o conteúdo herniário fica preso e irredutível. Nessa fase, os sintomas tornam-se agudos e intensos, incluindo dor abrupta, náuseas, vômitos e potencial obstrução intestinal.
Quando o encarceramento não é tratado, a hérnia pode evoluir para o estrangulamento, no qual ocorre o comprometimento da circulação sanguínea no segmento preso (isquemia). Além dos sintomas anteriores, o estrangulamento pode levar à necrose do tecido, manifestada por sinais como a coloração vermelha ou arroxeada da pele sobre a hérnia e a piora progressiva do estado geral do paciente.
Nesses casos, a intervenção médica de urgência é indispensável para evitar riscos maiores e potencialmente fatais. A percepção precoce desses sinais é fundamental para buscar ajuda médica e garantir que o tratamento seja indicado antes que ocorram complicações.
Como é feito o diagnóstico da hérnia epigástrica?
O diagnóstico da hérnia epigástrica geralmente é clínico, baseado em avaliação médica durante o exame físico. O profissional observa e palpa a região abdominal, identificando o abaulamento característico.
Em casos de dúvida ou para descartar outras condições, exames complementares podem ser solicitados, como:
- Ultrassonografia abdominal, que ajuda a visualizar a presença da hérnia.
- Tomografia computadorizada, útil em casos mais complexos ou para avaliar complicações.
- Ressonância magnética, em situações específicas que exigem detalhamento anatômico.
Esses exames auxiliam na confirmação do diagnóstico e na determinação do tamanho e da localização exata da hérnia. Um diagnóstico precoce é fundamental para orientar o tratamento adequado e evitar o risco de encarceramento ou estrangulamento da hérnia, que representam urgências médicas.
Como é feito o tratamento da hérnia epigástrica?
O tratamento da hérnia epigástrica depende da gravidade do quadro, da presença de sintomas e do risco de complicações. Pequenas hérnias assintomáticas podem ser apenas monitoradas, desde que não apresentem risco iminente.
Quando há dor, desconforto ou risco de encarceramento, a cirurgia é a principal forma de tratamento. Existem duas técnicas mais utilizadas:
- Cirurgia aberta
- Feita por incisão preferencialmente infraumbilical , de cerca de 2 cm. Dependendo da extensão do defeito, pode ser realizada através de incisão transumbilical.
- O cirurgião identifica o defeito , reduz o saco herniário e posteriormente faz a sutura (fechamento ) do defeito herniário com pontos cirúrgicos.
- Cirurgia videolaparoscópica
- Realizada através de 3 pequenas incisões de 5 mm a 1 cm na parede lateral ou inferior do abdome
- Uma câmera e instrumentais cirúrgicos são é introduzidos na cavidade abdominal
- O cirurgião visualiza o defeito herniário, expõe toda a região e o defeito da parede abdominal, por dentro do abdome, fecha o defeito. A tela poderá ser colocada dependendo da extensão da falha aponeurótica.
A cirurgia videoendoscópica, por ser minimamente invasiva apresenta vantagem quanto a recuperação e dor pós-operatória, sua desvantagem é que necessita de anestesia geral para ser realizada.
A colocação de tela cirúrgica para reforço da parede abdominal e evitar recidivas está indicada em grandes defeitos e quando associado a diástase dos músculos retoabdominais (afastamento dos músculos retoabdominal na linha média).
O período de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia, mas geralmente o paciente pode retomar atividades leves em alguns dias, evitando esforços mais intensos até a liberação médica.
A cirurgia é segura e apresenta ótimos resultados, reduzindo riscos de complicações graves.
Como se preparar para a cirurgia de hérnia epigástrica?
O paciente deve ser submetido a uma avaliação clínica pré-operatória que contempla exames laboratoriais e de imagem acompanhado de avaliação cardíaca, necessário para que o paciente seja submetido ao procedimento nas suas melhores condições clínicas.
É essencial informar ao cirurgião sobre o uso de medicamentos contínuos. Em caso de uso de anticoagulante, é necessário suspender conforme orientação médica.
No dia anterior ao procedimento, recomenda-se alimentação leve e jejum conforme prescrição. Além disso, é importante:
- suspender o tabagismo com antecedência e evitar o consumo de bebidas alcoólicas
- Manter boa higiene local
- É recomendado que a tricotomia (retirada dos pelos locais) deverá ser realizada em nível hospitalar
- Comparecer ao hospital com antecedência, em jejum oral de 8 horas, com roupas confortáveis, documentos pessoais e toda a avaliação pré-operatória solicitada.
O preparo psicológico também é relevante, pois ajuda a reduzir a ansiedade e o estresse antes da operação.
Seguir todas as recomendações médicas e esclarecer dúvidas com a equipe cirúrgica são passos fundamentais para um procedimento seguro, eficaz e que minimize as complicações e queixas após o procedimento.
Como é o período pós-operatório de cirurgia de correção de hérnia epigástrica?
A alta hospitalar ocorre geralmente no mesmo dia da cirurgia ou, no máximo, no dia seguinte. No período pós-operatório, recomenda-se evitar esforços físicos intensos e seguir rigorosamente as orientações médicas. O desconforto pode estar presente, porém é bem controlado com analgésicos e repouso relativo.
O tempo de recuperação varia conforme o tipo de cirurgia, mas em geral os pacientes retomam suas atividades normais em cerca de 1 a 2 semanas.
Os principais cuidados incluem:
- Manter o curativo limpo e seco
- Caminhar suavemente para prevenir trombose
- Usar roupas leves e evitar pressão na região operada
- Retornar às atividades físicas apenas após liberação médica
Em casos de dor intensa, febre ou vermelhidão no local, o médico deve ser avisado imediatamente. O acompanhamento nas consultas de revisão garante que o processo de cicatrização ocorra de forma adequada, evitando recidivas e complicações futuras.
Comentários
A fisiopatologia das hérnias está ligada a um defeito de formação do colágeno nos tecidos músculo-aponeuróticos, porém na correção das hérnias epigástricas, nem sempre está indicado a colocação de uma tela cirúrgica.
A grande maioria das hérnias epigástricas são tratadas apenas com rafia (aproximação) das bordas aponeuróticas e com ótimos resultados, apenas 25% dos pacientes com hérnia apresentam defeitos maiores que 3 cm. A colocação de tela cirúrgica está reservada para defeitos maiores que 2 cm, quando há recidiva ou quando está associado a diástase de reto, sempre com a finalidade de evitar a recidiva, e devem ser colocados se possível após os 16 anos de idade.
A abordagem por videolaparoscopia tem sua preferência quando a correção da hérnia será concomitante à correção da diástase de reto abdominal, que poderá ser realizada no campo subdérmico no espaço subcutâneo ou intra-abdominal através da robótica.
FAQs
- Hérnia epigástrica pode desaparecer sozinha?
Não, a hérnia não se resolve espontaneamente e exige acompanhamento médico. - Quais sinais indicam complicação na hérnia epigástrica?
Dor intensa, endurecimento e náuseas podem indicar encarceramento que pode progredir para estrangulamento se não tratado - A cirurgia é sempre necessária?
Nem sempre, mas é indicada quando há sintomas ou risco de complicações. - Qual exame confirma a hérnia epigástrica?
O diagnóstico geralmente é clínico, mas a ultrassonografia pode auxiliar. - É possível prevenir a hérnia epigástrica?
Manter peso adequado e evitar esforços excessivos ajuda na prevenção.

