A doença do refluxo pode ser mais do que um simples incômodo: quando os medicamentos não resolvem, a cirurgia pode ser a melhor solução. Entenda quando ela é indicada, como o procedimento funciona e o que esperar da recuperação. Entenda mais sobre esse assunto!

A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE) ocorre quando o conteúdo ácido do estômago retorna para o esôfago, provocando sintomas como azia, queimação e desconforto.
Afeta milhões de pessoas no mundo e sua prevalência tem aumentado devido a fatores como obesidade, maus hábitos alimentares e estresse.
Embora o tratamento medicamentoso seja eficaz para muitos, há casos em que a cirurgia se torna necessária para controlar os sintomas e prevenir complicações.
Neste artigo, abordaremos quando a cirurgia é indicada no tratamento do refluxo gastroesofágico, como é feita a cirurgia antirrefluxo e suas principais técnicas, e o pós-operatório e resultados esperados após o procedimento. Leia até o final e saiba mais!
Quando a cirurgia é indicada no tratamento do refluxo gastroesofágico
A cirurgia para tratar a doença do refluxo gastroesofágico é indicada quando o tratamento clínico não proporciona alívio adequado dos sintomas ou quando há complicações associadas. Em geral, os pacientes considerados candidatos à cirurgia apresentam um quadro mais grave da doença.
As principais indicações incluem:
- Falha no controle dos sintomas com medicamentos inibidores de bomba de prótons
- Presença de esofagite grave diagnosticada por endoscopia
- Complicações como estenose esofágica, úlceras ou esôfago de Barrett
- Dependência contínua de medicamentos, com impacto na qualidade de vida
- Hérnia de hiato volumosa associada ao refluxo
A decisão é baseada em exames como endoscopia digestiva alta, pHmetria esofágica de 24 horas e manometria esofágica. Esses testes confirmam o diagnóstico e avaliam o funcionamento do esfíncter esofágico inferior.
Pacientes que apresentam boa resposta temporária a medicamentos, mas recaída dos sintomas ao suspender o uso, também podem se beneficiar da cirurgia.
Como é feita a cirurgia antirrefluxo e suas principais técnicas
A cirurgia antirrefluxo mais realizada atualmente é a fundoplicatura de Nissen, uma técnica segura e eficaz que visa reforçar o esfíncter esofágico inferior, impedindo o retorno do conteúdo gástrico ao esôfago.
Na maioria dos casos, o procedimento é feito por videolaparoscopia, com pequenas incisões e rápida recuperação.
As principais técnicas utilizadas são:
- Fundoplicatura de Nissen (360°): envolve completamente o esôfago com o fundo gástrico
- Fundoplicatura parcial (270°): indicada em casos com motilidade esofágica alterada. As técnicas mais utilizadas são Lind e Toupet.
Durante a cirurgia, o médico também pode corrigir hérnias de hiato, frequentemente associadas ao refluxo. A anestesia é geral e o procedimento dura em média de 1 a 2 horas.
A escolha da técnica depende de exames prévios, condições clínicas do paciente e experiência da equipe cirúrgica. Quando bem indicada, a cirurgia tem alta taxa de sucesso e melhora significativa dos sintomas.
O paciente geralmente recebe alta nas primeiras 24 horas após a cirurgia e retorna às atividades leves em cerca de 7 dias. É uma alternativa segura para quem busca controle definitivo da doença.
Pós-operatório e resultados esperados após o procedimento
O pós-operatório da cirurgia antirrefluxo costuma ser tranquilo, especialmente quando o procedimento é realizado por videolaparoscopia. A recuperação é rápida, com melhora significativa dos sintomas logo nos primeiros dias. Ainda assim, alguns cuidados são fundamentais.
Entre as principais recomendações estão:
- Dieta líquida nos primeiros dias, evoluindo para pastosa e depois sólida
- Mastigar bem os alimentos e comer em pequenas porções
- Evitar bebidas gaseificadas e alimentos que causam gases
- Dormir com a cabeceira elevada nas primeiras semanas
É comum sentir sensação de inchaço abdominal, dificuldade para arrotar ou gases nos primeiros dias, mas esses sintomas tendem a desaparecer com o tempo.
O retorno às atividades físicas leves pode ocorrer após 2 semanas, e as atividades intensas são liberadas após cerca de 4 a 6 semanas.
Os resultados da cirurgia são bastante positivos:
- Mais de 90% dos pacientes apresentam alívio total ou significativo dos sintomas
- Redução ou eliminação do uso de medicamentos
- Melhora da qualidade de vida e do sono
- Redução do risco de complicações esofágicas a longo prazo
O acompanhamento médico é essencial para garantir uma boa recuperação e monitorar eventuais efeitos tardios. Em geral, a cirurgia oferece um controle eficaz e duradouro do refluxo.


